SEM SIGILO

Como fazemos a conta

Esta página existe para que qualquer pessoa possa refazer a conta por conta própria.

Todo número que publicamos pode ser rastreado até um documento oficial, e toda regra está escrita aqui antes de ser aplicada a qualquer prefeitura.

1. De onde vem o preço

O que a prefeitura pagou

Vem do PNCP, o Portal Nacional de Contratações Públicas. É o site do governo onde a lei obriga prefeituras, estados e União a publicar tudo que compram.

Usamos o preço final, o que foi realmente pago quando a compra fechou. O valor que aparece no edital antes da disputa é só uma previsão, e previsão não serve para comparar.

Só entram compras feitas por prefeitura. Isso é conferido por quem comprou, e não por onde a compra aconteceu: um órgão do governo federal que fica numa cidade continua sendo federal, e não entra.

2. Com o que comparamos

O preço do meio no Brasil inteiro

Com a mediana das compras do mesmo produto feitas por órgãos públicos no Brasil nos últimos 12 meses.

Mediana é o preço do meio: enfileirando todas as compras da mais barata à mais cara, é a que fica exatamente no meio. Usamos ela, e não a média, porque a média sobe quando alguém digita um preço errado, e a mediana não.

Esses preços vêm do Painel de Preços, um sistema do governo federal que reúne o que os órgãos públicos pagaram.

Essa escolha não é invenção nossa. A lei de licitações manda o próprio governo usar o Painel de Preços e as compras de outros órgãos para estimar quanto uma coisa deve custar. Comparamos com a mesma régua que a prefeitura é obrigada a usar.

Hoje são 1.441 preços: 532 de órgãos federais, 513 de prefeituras e 396 de governos estaduais.

3. Como sabemos que é o mesmo produto

A parte difícil

Esta é a parte que dá mais trabalho. Um notebook pode custar dois mil ou quinze mil reais, e comparar preço só faz sentido entre produtos iguais de verdade.

Para isso usamos o catálogo do governo federal, chamado CATMAT. Nele, cada tipo de produto já vem descrito por características em faixas, prontas e públicas. Um item do catálogo é assim:

NOTEBOOK, TELA: ATÉ 14 POL, MEMÓRIA RAM: 5 A 8 GB, ARMAZENAMENTO SSD: 110 A 300

Não inventamos essas faixas: usamos as que o catálogo já define. Dois notebooks só são comparados se caírem na mesma faixa de tela, memória e disco.

A descrição que a prefeitura escreve no contrato é texto solto, cada uma do seu jeito. Para encaixá-la numa faixa usamos regras publicadas, não inteligência artificial: qualquer pessoa pode conferir por que um item foi parar num grupo e chegar ao mesmo resultado.

Quando a descrição é vaga demais para saber do que se trata, a compra simplesmente fica de fora. Entre comparar errado e não comparar, preferimos não comparar.

4. Quando uma compra vira caso

Preço alto não basta

Compra de governo varia bastante por motivos honestos. No nosso conjunto, uma em cada quatro compras já custa quase 50% a mais que a mediana, sem nada de errado. Por isso um limite baixo não diria nada.

Para virar caso, a compra precisa estar muito acima e o dinheiro envolvido precisa ser alto. Quanto maior o valor total, menos exagerado o preço precisa ser:

  • gastou R$ 500.000 a mais ou mais, e pagou pelo menos 2× a medianaisso é mais caro que 88 de cada 100 compras iguais no Brasil
  • gastou R$ 150.000 a mais ou mais, e pagou pelo menos 2.5× a medianaisso é mais caro que 94 de cada 100 compras iguais no Brasil
  • gastou R$ 50.000 a mais ou mais, e pagou pelo menos 3× a medianaisso é mais caro que 96 de cada 100 compras iguais no Brasil

Além disso, só comparamos quando existem ao menos 20 compras daquele mesmo produto para formar a fila. E a compra que está sendo avaliada nunca entra na própria conta da mediana.

5. O que conferimos antes de publicar

Seis checagens, uma por uma

Nenhum caso vai ao ar sem que uma pessoa confira:

  1. se a unidade bate com o contrato, por exemplo se o preço é de uma peça ou de uma caixa;
  2. se o produto é mesmo equivalente aos que formaram a mediana;
  3. se o preço inclui frete, instalação, garantia maior ou algum serviço;
  4. se a quantidade e o valor total batem com o documento original;
  5. se alguém leu o contrato inteiro, e não só os dados do sistema;
  6. se procuramos o órgão e o partido do prefeito, com data e prazo para responder.

O erro mais comum é uma caixa com cem unidades registrada como se fosse uma unidade só. É a primeira coisa que olhamos.

6. O que isso não prova

Preço acima da mediana não prova irregularidade

Esta frase aparece em todo caso que publicamos, e é séria.

Existem razões honestas para um preço alto: comprar pouco sai mais caro por unidade, cidade distante paga mais frete, o contrato pode exigir garantia maior ou instalação inclusa, e o governo costuma pagar com atraso, o que o fornecedor embute no preço.

Nossa comparação também tem limites. A fila de preços mistura compras grandes e pequenas, de prefeituras e de órgãos federais. E as faixas do catálogo são largas: dentro de “memória acima de 8 GB” cabe tanto uma máquina de 16 GB quanto uma de 64 GB, que custam bem diferente. É justamente por isso que só publicamos casos muito acima da mediana.

Também não vemos tudo: cidades pequenas tiveram mais prazo para começar a publicar no PNCP, e nem toda compra tem o resultado final publicado.

Quando a gente erra, a correção fica visível na página do caso, com data e o que mudou. Nada é apagado escondido.

Não temos lado

Uma única regra, publicada aqui, igual para prefeitura de qualquer partido. A página não discute política, só preço. Nenhuma cor de partido aparece em lugar nenhum do site.

Achou um erro? Escreva para contato@semsigilos.com.br. Pedido de correção e resposta de quem foi citado entram na página do caso, inteiros e sem cortes.