Como fazemos a conta
Esta página existe para que qualquer pessoa possa refazer a conta por conta própria.
Todo número que publicamos pode ser rastreado até um documento oficial, e toda regra está escrita aqui antes de ser aplicada a qualquer prefeitura.
O que a prefeitura pagou
Vem do PNCP, o Portal Nacional de Contratações Públicas. É o site do governo onde a lei obriga prefeituras, estados e União a publicar tudo que compram.
Usamos o preço final, o que foi realmente pago quando a compra fechou. O valor que aparece no edital antes da disputa é só uma previsão, e previsão não serve para comparar.
Só entram compras feitas por prefeitura. Isso é conferido por quem comprou, e não por onde a compra aconteceu: um órgão do governo federal que fica numa cidade continua sendo federal, e não entra.
O preço do meio no Brasil inteiro
Com a mediana das compras do mesmo produto feitas por órgãos públicos no Brasil nos últimos 12 meses.
Mediana é o preço do meio: enfileirando todas as compras da mais barata à mais cara, é a que fica exatamente no meio. Usamos ela, e não a média, porque a média sobe quando alguém digita um preço errado, e a mediana não.
Esses preços vêm do Painel de Preços, um sistema do governo federal que reúne o que os órgãos públicos pagaram.
Essa escolha não é invenção nossa. A lei de licitações manda o próprio governo usar o Painel de Preços e as compras de outros órgãos para estimar quanto uma coisa deve custar. Comparamos com a mesma régua que a prefeitura é obrigada a usar.
Hoje são 1.441 preços: 532 de órgãos federais, 513 de prefeituras e 396 de governos estaduais.
A parte difícil
Esta é a parte que dá mais trabalho. Um notebook pode custar dois mil ou quinze mil reais, e comparar preço só faz sentido entre produtos iguais de verdade.
Para isso usamos o catálogo do governo federal, chamado CATMAT. Nele, cada tipo de produto já vem descrito por características em faixas, prontas e públicas. Um item do catálogo é assim:
NOTEBOOK, TELA: ATÉ 14 POL, MEMÓRIA RAM: 5 A 8 GB, ARMAZENAMENTO SSD: 110 A 300
Não inventamos essas faixas: usamos as que o catálogo já define. Dois notebooks só são comparados se caírem na mesma faixa de tela, memória e disco.
A descrição que a prefeitura escreve no contrato é texto solto, cada uma do seu jeito. Para encaixá-la numa faixa usamos regras publicadas, não inteligência artificial: qualquer pessoa pode conferir por que um item foi parar num grupo e chegar ao mesmo resultado.
Quando a descrição é vaga demais para saber do que se trata, a compra simplesmente fica de fora. Entre comparar errado e não comparar, preferimos não comparar.
Preço alto não basta
Compra de governo varia bastante por motivos honestos. No nosso conjunto, uma em cada quatro compras já custa quase 50% a mais que a mediana, sem nada de errado. Por isso um limite baixo não diria nada.
Para virar caso, a compra precisa estar muito acima e o dinheiro envolvido precisa ser alto. Quanto maior o valor total, menos exagerado o preço precisa ser:
- gastou R$ 500.000 a mais ou mais, e pagou pelo menos 2× a medianaisso é mais caro que 88 de cada 100 compras iguais no Brasil
- gastou R$ 150.000 a mais ou mais, e pagou pelo menos 2.5× a medianaisso é mais caro que 94 de cada 100 compras iguais no Brasil
- gastou R$ 50.000 a mais ou mais, e pagou pelo menos 3× a medianaisso é mais caro que 96 de cada 100 compras iguais no Brasil
Além disso, só comparamos quando existem ao menos 20 compras daquele mesmo produto para formar a fila. E a compra que está sendo avaliada nunca entra na própria conta da mediana.
Seis checagens, uma por uma
Nenhum caso vai ao ar sem que uma pessoa confira:
- se a unidade bate com o contrato, por exemplo se o preço é de uma peça ou de uma caixa;
- se o produto é mesmo equivalente aos que formaram a mediana;
- se o preço inclui frete, instalação, garantia maior ou algum serviço;
- se a quantidade e o valor total batem com o documento original;
- se alguém leu o contrato inteiro, e não só os dados do sistema;
- se procuramos o órgão e o partido do prefeito, com data e prazo para responder.
O erro mais comum é uma caixa com cem unidades registrada como se fosse uma unidade só. É a primeira coisa que olhamos.
Preço acima da mediana não prova irregularidade
Esta frase aparece em todo caso que publicamos, e é séria.
Existem razões honestas para um preço alto: comprar pouco sai mais caro por unidade, cidade distante paga mais frete, o contrato pode exigir garantia maior ou instalação inclusa, e o governo costuma pagar com atraso, o que o fornecedor embute no preço.
Nossa comparação também tem limites. A fila de preços mistura compras grandes e pequenas, de prefeituras e de órgãos federais. E as faixas do catálogo são largas: dentro de “memória acima de 8 GB” cabe tanto uma máquina de 16 GB quanto uma de 64 GB, que custam bem diferente. É justamente por isso que só publicamos casos muito acima da mediana.
Também não vemos tudo: cidades pequenas tiveram mais prazo para começar a publicar no PNCP, e nem toda compra tem o resultado final publicado.
Quando a gente erra, a correção fica visível na página do caso, com data e o que mudou. Nada é apagado escondido.
Uma única regra, publicada aqui, igual para prefeitura de qualquer partido. A página não discute política, só preço. Nenhuma cor de partido aparece em lugar nenhum do site.
Achou um erro? Escreva para contato@semsigilos.com.br. Pedido de correção e resposta de quem foi citado entram na página do caso, inteiros e sem cortes.